"Depois de dois anos quase
inacreditáveis, um dia ela disse que se sentia sozinha e que nada daquilo fazia
sentido. Dali ao fim tinha sido um instantinho. Desapareceu da sua vida com a
mesma rapidez com que tinha entrado. Rápida e letal. Mas deixou-o em coma quase
um ano, durante o qual carregou o peso da tristeza e foi-se deixando secar por
dentro. Era impossível evita-lo. Um dia, como outro qualquer, acordou e
sentiu-se diferente. Sentiu que não sentia nada. Nem a dor, nem a saudade, nem
a tristeza, nem a vontade de chorar. Pateticamente tentou sentir-se triste e
chorar mas não conseguiu.
A partir daí passou a viver sem
sentir."
in Lugares Vazios

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